sexta-feira, 15 de abril de 2011

"Se não sais de ti não chegas a ser quem és"

Quero encontrar uma ilha desconhecida, quero descobrir aquilo que sou de verdade. Sinto-me vazia, com medo do futuro, e farta do passado.
Com base nisto, tive um sonho.
Sonhei que tinha um barco, que desejava um barco para poder encontrar finalmente a tal lha desconhecida. Foi difícil conseguir alguém que me apoiasse nesta aventura, mas foi então que o rapaz, que era responsável pelo Porto onde iria buscar o meu barco, alinhou na aventura comigo. Ele por momentos, sentiu-se preocupado por eu não ter experiência alguma nisto. Prometi-lhe que o mar me iria ensinar, e que faria o possível e impossível para que ficasse profissional. Ele, muito filosófico, disse “ Se não sais de ti, não chegas a ser quem és.” Concordei, e era mesmo isso que precisava, descobrir definitivamente aquilo que eu era, pensei eu naquele instante.
Chegou a noite, o pânico instalava-se dentro de mim. De seguida ele foi buscar uma vela para se certificar que o meu coração deixasse de bater tanto como outrora batia. Meteu a vela junto aos nossos rostos e pensei “ Ele é bonito”, enquanto ele se focava noutra perspectiva “ Ela só pensa em ilhas desconhecidas”. Após o silêncio se ter apudorado daquele grande barco e o nosso entusiasmo um pelo o outro ter terminado, ele opinou que o melhor era nos irmos deitar. Disse-lhe que havia vários beliches, um deles foi ocupado por nós. Estava eu a deitar a minha cabeça sobre a almofada que cheirava a lavanda, e que finalmente iria ter o meu descanso merecido, quando ele disse num tom suave “ Tem uma boa noite. Até manhã”. Eu queria dizer o mesmo doutra maneira. “Que tenhas sonhos felizes” foi a frase que me saiu, sabendo que quando fechasses os olhos, frases mais espirituosas, sobretudo mais insinuantes viriam ao meu pensamento. Mas enfim, o sono tomou posse em mim e deitei me.
Tinha lhe desejado sonhos felizes, mas quem sonhou a noite toda, fui eu. Sonhei que tinha a grande e desejada tripulação comigo, e que após uma grande tempestade que ocorrera, avistamos terra. Todas as palavras que se ouviam naquele momento era “Pode ser a ilha desconhecida”. Feliz, corri pelo o barco, por todos os recantos daquele barco á procura dele para lhe dizer que um dos NOSSOS desejos tinham sido concretizados. Pensei que estivesse no beliche, pensei, mas foi um pensar fingido porque eu sabia, embora não sei como sabia, que ele a última da hora, tinha desistido e que tinha saltado para o cais, dizendo de lá “ Adeus, já que só tens olhos para ilhas desconhecidas”. Nesse mesmo instante, acordei sobressaltada, o sonho, que para mim foi um pesadelo, (achando que ter uma tripulação seria mesmo um sonho) tinha acabado. Acordei abraçada a ele. Senti-me aliviada e feliz, por saber que afinal ele não me tinha abandonado, que estava ali comigo. Assim sentia-me segura. Depois, mal o sol tinha acabado de nascer, ele e eu fomos acabar de pintar o nome na proa do barco. Pela hora do meio-dia, a ilha desconhecida fez-se enfim ao mar á procura de si mesma. Foi aí que me apercebi, que todo o ‘homem’ é uma ilha (desconhecida). Finalmente me tinha encontrado, mas isso só aconteceu por criei ligações, e só assim e que nos completamos.

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